Araraquara, 14 de março de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Inter: Irã notifica AIEA sobre plano de enriquecer urânio a 20%
O Irã notificou formalmente a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nesta segunda-feira que tem planos de produzir em seu próprio território urânio enriquecido em porcentagem mais alta, disse Ali Ashgar Soltanieh, enviado nuclear de Teerã a Viena, a uma emissora de televisão iraniana. A comunicação do governo iraniano gerou uma forte reação da comunidade internacional, liderada pela França e os Estados Unidos.
"A comunicação oficial sobre o início da atividade de enriquecimento a 20% para fornecer combustível ao reator nuclear de Teerã foi entregue à AIEA", disse Soltanieh, por telefone, ao canal estatal Al-Alam.
O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, expressou preocupação a respeito da decisão iraniana. "O diretor-geral da AIEA notou com preocupação essa decisão, uma vez que ela deverá afetar em particular os atuais esforços internacionais para garantir o acesso de combustível nuclear ao Reator de Pesquisas de Teerã", manifestou em comunicado a AIEA, braço das Nações Unidas que monitora o uso da energia nuclear no mundo.
O ministro da Defesa da França, Hervé Morin, afirmou que seu país e os Estados Unidos buscarão sanções contra Teerã nas Nações Unidas.
Morin fez as declarações em Paris, após conversar com o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates. O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, afirmou que o Irã não tem capacidade para enriquecer urânio a 20% para utilizar em seu reator. Kouchner acusou a república islâmica de fazer "chantagem". Funcionários americanos disseram em Washington que os planos do Irã são "provocativos" e aumentarão as "sérias preocupações" sobre as intenções do programa nuclear iraniano.
No domingo, o diretor da agência nuclear iraniana, Ali Akbar Salehi, informou que a AIEA, cuja sede fica em Viena, seria notificada hoje sobre os planos e que o processo começaria já na terça-feira na usina nuclear de Natanz. O comentário de Salehi veio à tona apenas algumas horas depois de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ter ordenado a ele que iniciasse as operações para elevar a porcentagem de enriquecimento de urânio.
Apenas alguns dias antes, o Irã havia sinalizado que aceitaria um acordo nuclear proposto pela União Europeia por meio do qual enviaria seu urânio, enriquecido em baixa porcentagem, para que o enriquecimento em nível mais elevado fosse realizado em outros países.
Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.
O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.
Agência Estado